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A reforma trabalhista mudou as regras de viagem a trabalho?

viagem a trabalho na reforma trabalhista

Você sabe como fica a viagem a trabalho na reforma trabalhista? Realmente bastante coisa mudou, então fique ligado nesse artigo!

Embora com o advento da tecnologia a comunicação através de aplicativos móveis e outros instrumentos tenha quebrado a distância entre empresa e cliente, a viagem a trabalho ainda é fundamental dentro das organizações, e ela sofreu algumas mudanças com a reforma trabalhista.

Nesse caso, quando há a necessidade do deslocamento em virtude de trabalho, a diária da viagem é paga pelo empregador para o trabalhador que precisou se deslocar da sua cidade de origem para realizar algum tipo de trabalho pela empresa.

Então para entender melhor o que mudou com a nova Lei Trabalhista vamos falar um pouquinho mais sobre essas mudanças.

Pagamentos das diárias de viagem antes e depois da Reforma Trabalhista

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Antes da reforma trabalhista, de acordo com o artigo 457 § 2º da CLT as diárias de viagem não poderiam ultrapassar 50% do valor do salário do empregado, para que não fossem consideradas como parte integrante dele.

Ainda segundo o art. 457 § 2ºNão se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinquenta por cento do salário recebido pelo empregado”.

Com a mudança na lei trabalhista, através da Lei nº 13.467/2017 e a publicação da medida provisória nº 808/2017, em nenhuma hipótese as diárias de viagem serão consideradas como remuneração do empregado, não constituindo nesse sentido base de incidência de encargo trabalhista ou previdenciário.

Nesse sentido, entendendo que a regra aplica-se a qualquer valor, não há mais a necessidade das despesas de viagem serem inferiores a 50% do salário do empregado.

Com a aplicação desta medida provisória, estabeleceu-se um aquecimento no setor, proporcionando às empresas dispor dos seus funcionários para viagens mais longas a negócio com o objetivo de aumentar as suas receitas e consequentemente fomentar a economia.

Entendendo melhor essa mudança na Lei

Para fins didáticos, vamos exemplificar de forma clara e simples o impacto orçamentário que essa mudança na lei propiciou.

Vamos imaginar que uma determinada empresa possui dois compradores que precisaram se deslocar para tratar da compra de uma determinada matéria-prima.

Nesse exemplo vamos considerar que cada um desses compradores recebesse um salário de R$ 3.000,00.

Para essa viagem será necessário que cada um fique 7 dias, sendo o valor para cada diária, considerando estadia, deslocamento e alimentação, de R$ 300,00.

Somados os 7 dias, cada um gastou o valor de R$ 2.100,00, sendo esse valor correspondente a 70% do salário de cada um.

Antes da mudança, para não haver impacto de encargos trabalhistas, a despesa de viagem não poderia ultrapassar 50% do valor do salário e como nesse caso o valor foi ultrapassado, a empresa deveria pagar, Férias, ⅓ de Férias, 13º Salário proporcional à despesa de viagem, encargos que deixaram de existir com a reforma trabalhista.

Desse modo, vamos ver na tabela abaixo, quanto seria o montante economizado pela empresa com a reforma trabalhista:

ANTES DA REFORMA TRABALHISTA DEPOIS DA REFORMA TRABALHISTA
FUNCIONÁRIO 1 FUNCIONÁRIO 1
SALÁRIO MENSAL R$   3.000,00 SALÁRIO MENSAL R$   3.000,00
DESPESAS TOTAIS DE VIAGEM R$   2.100,00 DESPESAS TOTAIS DE VIAGEM R$   2.100,00
PORCENTAGEM 70% PORCENTAGEM 70%
FÉRIAS PROPORCIONAIS R$      175,00 FÉRIAS PROPORCIONAIS R$                –
1/3 FÉRIAS PROPORCIONAIS R$         58,33 1/3 FÉRIAS PROPORCIONAIS R$                –
13º SALÁRIO PROPORCIONAL R$      175,00 13º SALÁRIO PROPORCIONAL R$                –
TOTAL DA DESPESA DE VIAGEM R$ 2.508,33 TOTAL DA DESPESA DE VIAGEM R$ 2.100,00
FUNCIONÁRIO 2 FUNCIONÁRIO 2
SALÁRIO MENSAL R$   3.000,00 SALÁRIO MENSAL R$   3.000,00
DESPESAS TOTAIS DE VIAGEM R$   2.100,00 DESPESAS TOTAIS DE VIAGEM R$   2.100,00
PORCENTAGEM 70% PORCENTAGEM 70%
FÉRIAS PROPORCIONAIS R$      175,00 FÉRIAS PROPORCIONAIS R$                –
1/3 FÉRIAS PROPORCIONAIS R$         58,33 1/3 FÉRIAS PROPORCIONAIS R$                –
13º SALÁRIO PROPORCIONAL R$      175,00 13º SALÁRIO PROPORCIONAL R$                –
TOTAL DA DESPESA DE VIAGEM R$ 2.508,33 TOTAL DA DESPESA DE VIAGEM R$ 2.100,00
TOTAL GERAL 2 FUNCIONÁRIOS R$   5.016,67 TOTAL GERAL 2 FUNCIONÁRIOS R$   4.200,00

Note nesse exemplo que após a reforma trabalhista a economia da empresa foi de R$ 816,67, o que possibilitou a ela aumentar as viagens para realização de negócios.

Você pode organizar de forma melhor o orçamento de viagem corporativa baixando gratuitamente a nossa planilha de orçamento para viagem corporativa.

O outro lado da moeda

Se por um lado a reforma trouxe mais economia para as empresas, possibilitando às mesmas a realização de viagens de negócios mais duradouras, por outro lado o funcionário acabou sendo prejudicado com a nova lei.

Isso ocorre porque quando ele precisava se deslocar por mais tempo a trabalho na lei antiga, deixando a sua família, recebia um valor maior em virtude do impacto dos encargos trabalhistas sobre o seu salário.

Com a aprovação da nova lei trabalhista, o funcionário deixou de receber essa proporcionalidade e consequentemente acabou recebendo menos para realizar o mesmo tipo de tarefa.

Nesse sentido, a nova lei acaba dividindo opiniões de advogados, juristas e da sociedade como um todo, sendo que enquanto alguns aprovam a medida como forma de estimular a economia, outros a repudiam alegando que as empresas irão obter mais lucros na exploração da mão de obra, aumentando dessa maneira a desigualdade social no país.

Caso você ainda tenha alguma dúvida ou pergunta sobre viagem a trabalho, baixe gratuitamente o nosso E-book FAQ Direito Viagens Corporativas e entenda melhor como ficou a viagem a trabalho na nova CLT e outras situações.

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Yanick Gudim

Founder, CEO ExpenseOn Yanick Gudim, controller com ampla experiencia em auditoria e consultoria de empresas de médio e grande porte. Durante 3 anos trabalhei como consultor financeiro para startups de tecnologia como: Just Eat, Elens, Girafas, Mega Mamute, Sorte Online, Beleza na web, Play tech, entre outras.

6 Comments

  1. Boa tarde,
    A empresa está me obrigando a passar 3 dias da semana trabalhando durante 3 meses, na filial em outro município (200km de distância), não irão pagar o almoço pois recebo vale, só que no caso recebo o alimentação e não refeição.
    Tenho direito aos 25% do artigo 469 § 3º ? Tenho direito ao almoço?
    Muito obrigado pela ajuda!!

  2. Trabalho com assistência técnica hidráulica mecânica e fico fora de casa período variados de 3 a 30 dias dependo do caso que estarei trabalhando, a empresa me paga as horas trabalhadas, alimentação, deslocamento, passagem, etc porém não me paga nada a mais como por exemplo diária por estar fora de casa.( É um direito meu Receber diária além dos horários trabalhados e despesas pagas ) ???

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